Do analógico ao digital: como o poder público brasileiro pode governar de forma mais inteligente
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Jul 3, 2024

Do analógico ao digital: como o poder público brasileiro pode governar de forma mais inteligente

Opinião | O brasileiro é conhecido por aceitar bem o uso das plataformas digitais, o que reforça a tese que nosso mindset deve estar cada vez mais voltado para uma

Opinião | O brasileiro é conhecido por aceitar bem o uso das plataformas digitais, o que reforça a tese que nosso mindset deve estar cada vez mais voltado para uma mentalidade ágil e amparada em dados abertos

A transformação digital é uma realidade e está revolucionando a forma como as pessoas vivem, trabalham, interagem e até como governam. E não se trata somente de tecnologia, mas de melhorar a vida da população. Hoje, o cidadão conta com vasta gama de serviços literalmente na palma da mão, seja para emitir documentos, agendar consultas médicas e até matricular o filho na escola.

O caminho para um setor público mais eficiente se apoia na mesma premissa que rege o setor privado: a inovação. Para lidar com isso, as pessoas precisam aprender mais rápido e os governos precisam governar de forma mais inteligente.

Com um volume crescente de dados disponíveis, o setor público vai implementando aos poucos a cultura data-driven como modus operandis, substituindo o “achismo” por dados e metodologias que solucionem as carências locais e tornem a gestão mais competitiva.

Sabe-se que o Brasil enfrenta diversos desafios em termos de inclusão digital devido à sua vasta geografia e desigualdades socioeconômicas. Além disso, o país carece de um ecossistema tecnológico que vai além do servidor público, a começar por uma mentalidade cultural de capacitação contínua dos funcionários. Por outro lado, aos poucos estamos nos aproximando de exemplos internacionais bem-sucedidos quando o assunto é a oferta de tecnologia qualificada ao cidadão.

Uma plataforma recém-lançada pelo Centro de Liderança Pública, em parceria com a Valid, reúne iniciativas dos quatro cantos do país que estão liderando a era da transformação digital nos serviços prestados à população, com foco em automação, digitalização de serviços e inteligência artificial.

A abordagem utilizada voltada para a melhoria da experiência do usuário tem garantido ao cidadão brasileiro uma participação ativa na evolução da digitalização dos serviços públicos, seja com feedbacks, sugestões, ou atendimento ágil e personalizado.

Os chatbots, por exemplo, são um dos preferidos do setor público brasileiro por conta de benefícios como eficiência, rapidez, redução de custos, acessibilidade e melhoria contínua da informação. No estado do Ceará, o cidadão consegue consultar, de forma automática pelo WhatsApp do “Detran-CE”, a validade da CNH, a pontuação na carteira, o CRLV-e e boletos de licenciamentos. O mesmo acontece em Alagoas por meio do “Zap do Cria (Criança Alagoana)”, onde é possível tirar dúvidas e conhecer cuidados e ações do governo voltadas às gestantes e crianças de 0 a 6 anos, nas áreas de saúde, assistência social e educação. As áreas da saúde e previdência são outras atendidas por essa tecnologia. O “Juçara”, no Maranhão, permite aos usuários opções de atendimento médico, pagamentos e auxílios e sobre a previdência social.

Outro serviço que tem se tornado cada vez mais frequente entre os governos estaduais é o de matrícula online.  O “Portal Matrícula Web”, no Mato Grosso, foi implementado há nove anos e já conta com mais de 20 mil novos alunos. Já no Espírito Santo, o "UniversidadES", oferece ao cidadão uma gama de serviços digitais sobre graduação, pós-graduação, EaD, cursos técnicos e bolsas de estudo para alunos de baixa renda.

As iniciativas dos governos subnacionais não ficam restritas às áreas de saúde, educação, transportes e serviços. Em Minas Gerais, o governo passou a utilizar a tecnologia blockchain para garantir eficiência e segurança ao setor florestal do estado e já conta com a adesão de mais de 85% dos municípios mineiros. Uma plataforma realiza a gestão de florestas plantadas, com controle da cadeia do carvão vegetal, ajudando na proteção da vegetação nativa.

Esses exemplos de políticas públicas que desempenham um papel crucial na acessibilidade a toda a população é só a ponta do iceberg de onde podemos chegar. Hoje, o Brasil ocupa o 49º lugar no ranking de 2022 das Nações Unidas que avalia governos digitais (E-Government Survey).

Bem à frente do Brasil, a Estônia (8ª colocada) é um país jovem e pequeno, mas sua digitalização de serviço públicos tem muito a nos ensinar. Lá, é possível fazer quase tudo online – abrir uma empresa em minutos, se casar e até votar para as eleições. A Finlândia (2ª), sua vizinha, oferece ao cidadão uma identidade eletrônica segura, além de uma vasta gama de serviços governamentais online. Já o Reino Unido (11º) conta com um portal centralizado que proporciona acesso fácil a informações e serviços governamentais, com um foco na experiência do usuário. Da Europa para Ásia, o Japão (14º) tem um número de identificação único para cada indivíduo, que consegue acessar impostos, previdência social e saúde no mesmo local.

Seja no Brasil, na Estônia ou no Japão, a tecnologia se faz cada vez mais presente para otimizar processos e burocracias tradicionais que podem ser otimizadas, oferecendo mais produtividade e flexibilidade aos governos.

O brasileiro é conhecido por aceitar bem o uso das plataformas digitais, o que reforça a tese que nosso mindset deve estar cada vez mais voltado para uma mentalidade ágil e amparada em dados abertos. Como se costuma dizer, a era digital furou a bolha do setor privado e chegou ao setor público. Resta aos formuladores de políticas públicas que priorizem a inclusão tecnológica para os desafios do futuro.

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